Artigos › 29/09/2014

A Tríplice Missão Episcopal

pf-1883001113-Episcopado-3-dAo longo de minha vida percebi que a Graça de Deus chegou, em mim, muitas vezes e de variadas formas. Uma Graça muito grande chegou até mim através de minha nomeação e ela se tornara visível através da Ordenação episcopal. O bispo é um legítimo sucessor dos Apóstolos e sua missão se desenvolve em três níveis. Ele é chamado a ser o mestre e arauto da palavra, a ser o ministro da graça do supremo sacerdócio, santificando a porção da Igreja a ele confiada e a exercer o governo pastoral de sua diocese.

Para pregar a Palavra de Deus é preciso que ele entre nela como num ventre materno e seja nutrido por ela através da sua leitura orante. O bispo deve guardar santamente a Palavra e anunciar com coragem a mensagem divina que edifica a vida. O Evangeliário colocado sobre a cabeça do bispo no dia de sua ordenação, quer mostrar que a Palavra envolve e guarda o seu ministério. O anúncio da Boa Notícia de Deus ajuda a construir com dignidade a vida humana. O Bispo deve ser o primeiro interessado em anunciar a Palavra de Deus às pessoas.

A segunda missão episcopal é a de ser o ministro da graça do supremo sacerdócio, procurando santificar através do lançamento das redes nas águas profundas da vida. Estas redes são os sacramentos, a oficialização da liturgia enquanto pedagogia da fé, destacando a centralidade do Dia do Senhor e do ano litúrgico. Este é o motivo pelo qual o bispo não deve ausentar-se de sua diocese nas solenidades do Natal, Tríduo Pascal, Corpus Christi e Pentecostes, pois estes são momentos fortes do encontro da graça de Deus com as pessoas. Enquanto alguém que assume a missão de colaborar na santificação da vida, o bispo promove as atividades pastorais que têm como objetivo conduzir as pessoas para a santidade. Naturalmente ele deve procurar viver de tal forma que tudo nele transpareça Graça de Deus para as pessoas.

Por fim o bispo tem sob si a responsabilidade do governo pastoral de sua diocese. Este governo deve se expressar em forma de serviço, por isso ele deve ser o primeiro servidor da Igreja de Cristo. A sua autoridade enquanto governador da diocese deve brotar do seu testemunho, pois se faltar o testemunho de fé, esperança e caridade dificilmente o seu governo será sentido pelo Povo de Deus como manifestação da presença operante de Cristo na Igreja. Faz parte do governo pastoral da diocese, uma boa administração, em todas as dimensões, dando vida e dinamismo à estrutura diocesana. São elementos significativos do governo do bispo a sua vista pastoral às comunidades, a comunhão com os presbíteros, religiosos e cristãos leigos, a formação inicial e permanente dos presbíteros e diáconos, a solicitude pelas famílias, crianças, adolescentes, jovens, adultos e anciãos e a animação da vida vocacional da Igreja. Desta forma o seu governo não se reduz a uma estrutura fria e pesada, mas funciona como um canal de graça para as pessoas.

Tenho consciência desta missão. Não entrei para o episcopado pensando em mim, mas nos outros. Quero fazer de minha vida uma existência voltada para fora de mim sendo um servidor de Cristo anunciando a palavra, santificando a vida e conduzindo com dinamismo a diocese. A missão não é pequena e sei que não depende apenas de mim, mas de Deus e das pessoas que tocadas pelo seu Santo Espírito, não se cansam de construir a história da Igreja. É somente confiando em Cristo que as realizações terão mais sentido.

Dom Messias dos Reis Silveira

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